quinta-feira, 6 de outubro de 2011

CUIDAR.

Galatas 4:19

Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.

Irmãos, na minha opinião de todas as partes de uma colheita cuidar é a “pior”, não no sentido pejorativo da palavra, mas no sentido de mais árdua.

Cuidar é assim, se você cuidou bem e se esforçou não fez mas do que a sua obrigação e algo deu errado é porque não houve cuidado adequado.

Cuidar de uma colheita é uma tarefa extremamente pesada e árdua, pois implica em vários fatores, detona tempo, responsabilidade e paciência.

Cuidar de pessoas não é diferente, pois o ser humano é muito complexo.

Recentemente fiz uma pós-graduação em Gestão de Pessoas e afirmo que não aprendi nem um por cento do que é gerir pessoas.

Não menos árduo é o cuidar dos recém nascidos, talvez até mais trabalho.

O ser humano é um dos poucos seres vivos que nos primeiros anos de vida são totalmente dependentes de seus semelhantes para que possam sobreviver. Ou seja, morreríamos se quando ao nascer tivessem nos deixado de lado.

Desde os primeiros minutos de vida precisamos de cuidados.

Nosso intuito hoje e traçar um paralelo entre as fases de vida do ser humano e as fases de um novo converso. Há grandes paralelos entre o desenvolvimento natural do homem e o seu desenvolvimento espiritual.

Antes vamos abrir um parêntese.

Jesus veio quebrar certos paradigmas e restaurar conceitos divinos. Enquanto os lideres religiosos do seu tempo se interessavam na religiosidade, o objetivo, o alvo, o foco de Jesus eram as pessoas. Jesus veio salvar pessoas. Jesus se ocupava com pessoas. Seu foco eram pessoas.

E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. (João 6:39).

Jesus não olhava para um aleijado e questionava se isso era por causa do seu pecado ou proveniente do pecado de seus pais.

E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? (João 9:2)

Jesus não estava interessado se aquela mulher foi pega em adultério ou se a outra teve vários maridos, Ele se interessava pelo ser humano, pelas pessoas.

Por várias vezes observamos na Bíblia Jesus se compadecendo e assumindo a postura de íntima compaixão.

E, saindo eles de Jericó, seguiu-o grande multidão.

E eis que dois cegos, assentados junto do caminho, ouvindo que Jesus passava, clamaram, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós!

E a multidão os repreendia, para que se calassem; eles, porém, cada vez clamavam mais, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós!

E Jesus, parando, chamou-os, e disse: Que quereis que vos faça

Disseram-lhe eles: Senhor, que os nossos olhos sejam abertos.

Então Jesus, movido de íntima compaixão, tocou-lhes nos olhos, e logo viram; e eles o seguiram.

Mateus 20:29-34

Por que eu estou dizendo isso? Por que a igreja de Deus é constituída de pessoas.

Entendam, pessoas são importantes. Precisamos estar focado em pessoas.

O bom pastor da a sua vida pelas suas ovelhas.

Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

João 10:11

Faço um pergunta para reflexão. Estamos nos esforçando ao máximo pelas pessoas?

Temos cuidado com zelo de pessoas?

Faço aqui algumas críticas as nossas atitudes, a nossa postura, da qual também me incluo.

Temos dado total atenção às crianças? Temos cuidado dos nossos idosos?

Me chama atenção, e isso muito por causa da doença da minha filha, com respeito aos cuidados que damos aos deficientes físicos e cadeirantes, no diz respeito aos banheiros, rampa de acessos, etc.

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 29:19 e 20).

Quando algumas pessoas fazem a decisão por Cristo, toda a igreja se alegra, dá graças a Deus e volta para os afazeres da vida. Semanas depois, alguns lembram-se daquelas pessoas e perguntam-se: onde estão aqueles que levantaram as suas mãos aceitando a Jesus como Senhor e Salvador? E, no mesmo momento, justificam-se dizendo: eles não fizeram uma decisão de coração, por isso é que não permaneceram. Será que esta é a resposta mais sábia e sincera? Será que temos feito os preparativos necessários e temos realmente cuidado dos novos convertidos?

Não podemos simplesmente dar as boas vindas ao novo convertido e deixá-lo por conta própria na esperança de que, de alguma maneira, ele se firme na fé. São muitas as pessoas que um dia abriram os seus corações para Jesus e que, por falta de cuidado eficiente, já não estão nos caminhos do Senhor.

Todos os salvos, portanto, devem estar atentos para esta realidade dita pelo Senhor Jesus a respeito do novo convertido: ele é um recém-nascido e, como tal, precisa, a exemplo do que ocorre na vida biológica humana, de todos os cuidados para que venha a ter condições de viver sozinho.Como diziam os antigos, nascida uma criança é necessário que se tomem todas as providências para que ela possa “vingar”, ou seja, tenha condições de sobreviver por conta própria, o que não ocorre de imediato

I) A FASE DO RECÉM-NASCIDO

Não obstante, antes até mesmo da chegada do recém nascido, os pais começam os preparativos para a chegada do pequenino.

Enfeitam o quarto, compram roupinhas, vários utensílios, compram o bercinho. Tudo isso na expectativa de receber o novo membro da família. Da mesma forma devemos nos preparar para receber os novos membros da família de Deus. Precisamos pensar no conforto e nas acomodações da casa de Deus.

Inicia-se no instante do nascimento e termina com a queda do coto umbilical. Tem a duração, em média, de sete dias e vai depender dos cuidados que irá receber para desenvolver-se satisfatoriamente.

A primeira coisa que acontece quando nasce um bebê, é a alegria que ele trás para a família. Eu lembro muito bem quando nasceu o meu primeiro filho, apesar de todos os cuidados que uma criança prematura necessitava, eu estava radiante. E não só eu, mas os avôs, os tios e tias, foi um momento de muita alegria.

Assim vos digo que há festa diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. (Lucas 15:10)

A) ALIMENTAÇÃO

Há de se convir que um bebê não pode se alimentar de qualquer comida. Ele necessita de uma alimentação especial.

“Não só de pão viverá o homem, mas de toda Palavra de Deus” (Mt. 4:4).

Assim como um bebê natural necessita do seio de sua mãe, também o bebê espiritual precisa nutrir-se da Palavra de Deus, porque é o único elemento que pode ajudá-lo no crescimento espiritual.

Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo; (1 Pedro 2:2).

Um bebê não pode cuidar de outro bebê, por isto devemos manejar bem a Palavra de Deus e aplicá-la especialmente em nossas vidas, tendo a vida de Deus e um caráter irrepreensivo, qualidades que os adultos espirituais certamente possuem.

Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino.

Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.

(Hebreus 5:13-14).

B) OBSERVAR

Segundo pesquisas de alguns psicólogos, os recém-nascidos apresentam dois tipos de reações emocionais:

a) Bem-estar físico – apresentam manifestações de que estão satisfeitos e confortáveis, o que se traduz por relaxamento muscular, sono prolongado e esforço de sorriso.

b) Mal-estar físico – apresentam manifestações de insatisfação, por estarem com fome, molhados, com frio ou muito agasalhados, com sono ou alguma dor, que traduzem em agitação dos membros, choro ou modificação na respiração.

O recém-nascido (novo convertido) que você cuidará, deve apresentar reações de bem-estar, e da maneira que você está cuidando dele, ele irá cuidar dos outros bebês quando estiver adulto, maduro. Tudo que você fizer com ele, assim ele fará com os outros; terá a sua cara, pois se espelhará em você.

II) A PRIMEIRA INFÂNCIA

Inicia-se com a queda do coto umbilical e termina quando a criança aprende a falar, andar, alimentar-se sozinha (desmame) e com o aparecimento da primeira dentição.

Na primeira infância espiritual o novo convertido apresenta indícios de que está crescendo: lê a Bíblia sozinho; consegue se expressar através da oração; dá testemunho de sua fé; tem interesse nas reuniões, e o crescimento é visível e palpável.

Piaget (grande psicólogo), ao descrever o desenvolvimento intelectual da criança, chama essa fase de sensório-motora, pois o bebê está recebendo por seus órgãos sensoriais, as estimulações do ambiente, que vão agindo sobre ele. Assim vai nascendo sua inteligência e seu conhecimento da realidade. Igualmente acontece com o bebê espiritual; todo ensino, estímulo, incentivo que lhe dermos, ele irá receber; o que muito o ajudará a desenvolver-se espiritualmente, e com certeza se refletirá em outras áreas de sua vida.

Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. (Provérbios 22:6).

III) A SEGUNDA INFÂNCIA

Tem início com a aquisição da linguagem e da locomoção e termina com o ingresso na escola maternal. Nesta fase a criança espiritual tem um desenvolvimento bastante significativo onde já expressa a linguagem do reino.

Ela começa a interagir com outras crianças e até mesmo com outros adultos.

IV) A FASE DA MENINICE

É uma complicada. A criança acha que conseque fazer tudo sozinha, mas ainda necessita, e muito, da ajuda dos mais velhos.

V) A ADOLESCÊNCIA

Esta é a fase do crescimento mais visível e acelerado da criança espiritual; é o maior pico de crescimento, onde todos percebem como a criança se desenvolve; está evoluindo, saindo das operações concretas para o estágio das operações formais.

Nesta fase aprende que nem tudo são flores, há também os espinhos, as aflições e as angustias.

DEZ ATITUDES DO CONSOLIDADOR – OUTROS APECTOS DO CUIDADOR

1) CUIDAR: O trabalho de Consolidação engloba o Cuidar. Todo Novo Convertido é como um bebê espiritual e necessita de cuidados especiais (1 Pe. 5:2). Cuidar é fazer como um enfermeiro que recebe o recém nascido, checando se tudo está normal. Telefonar imediatamente quando houver falta na reunião da célula ou Igreja, visitar frequentemente para saber se tudo está indo bem.

2) OUVIR: Saber ouvir é uma das técnicas do aconselhamento. O Consolidador precisa estar disposto a ouvir com amor ao discípulo. Talvez o discípulo seja uma pessoa a quem ninguém ouvia. Agora ele precisa de um bom par de ouvidos de alguém que realmente o ame.

3) NUTRIR: Para que a criança cresça com saúde é necessário haver uma boa nutrição. Assim também é necessário que o Novo Convertido seja bem alimentado. O primeiro alimento é dado pelo Consolidador e, esta responsabilidade continua sendo dele até seu ingresso na Escola de Líderes;

4) SOCORRER: Socorro é um dos dons espirituais (1Co. 12:28) que o Consolidador mais precisa, pois o mesmo terá que socorrer, investindo talento, dons e tempo, para o bem estar do discípulo.

5) ORAR: A intercessão é a chave do sucesso do Consolidador. Se ele quer ver seus frutos permanecer, deve orar. Orar e interceder por seus discípulos:

6) LIDERAR: Liderança é também um Dom do Espírito Santo (Rm. 12:8) dado a Igreja, e, no trabalho de consolidação, será de suma importância que o Consolidador assuma o papel de líder no discipulado. Isso significa guiá-lo.

7) INSTRUIR: Salomão diz: “instrui a criança no caminho em que deve andar e até quando for velha, não se desviará dele” Pv. 22:6. Isso vale também para o novo crente. E, desta forma o Consolidador o instruirá.

8) DEDICAÇÃO: Dedicar-se é consagrar-se, devotar-se a. Para consolidar é necessário esforço. Não pode haver “preguiça” e nem falta de “compromisso” na vida do Consolidador. Isso significa que, ele deverá gastar tempo para orar e estar com seu discípulo. Dedicar-se em conhecê-lo, para estreitar os relacionamentos.

9) AMAR: Sem amor você não terá: paciência, nem dedicação e nem mesmo responsabilidade pela vida e crescimento do discípulo. Em Romanos 5:5, aprendemos que “o amor de Deus é derramado em nossos corações...”. Então, seja um canal para que este amor flua através de você.

10) REMOVER OBSTÁCULOS: Quando uma criança começa a andar, você precisa remover os obstáculos, pois, até então, ele só consegue andar em solo sem obstáculos. Na vida cristã também é assim.

DE QUEM É A RESPONSABILIDADE DE CUIDAR?

1) primeiro, por aqueles que foram participantes na salvação daquela vida, os chamados “pais na fé”.

Vemos a consciência desta responsabilidade no apóstolo Paulo, que se considerava o “pai na fé” de Timóteo (I Tm.1:2; II Tm.1:2; 2:1).

Nem sempre o “pai na fé” é aquele que pregou o Evangelho para o novo convertido. Paulo, pelo que se deduz dos seus próprios escritos, não foi o primeiro a falar das sagradas letras a Timóteo, que fora evangelizado por sua avó e por sua mãe. (II Tm.1:5; 3:15),

Entretanto, guiado pelo Espírito Santo, Paulo sentiu de “adotar” aquele “filho na fé”, assumindo a responsabilidade de orientar e cuidar desta alma, responsabilidade esta que pôs em alta conta, a ponto de, pouco antes de sua morte, ter ainda escrito as últimas instruções a este seu “filho” (II Timóteo é a última carta escrita pelo apóstolo).

2) Além dos “pais na fé”, também são responsáveis pelo desenvolvimento do novo convertido aqueles que o Senhor põe à frente do rebanho, os pastores.

Paulo dizia que se sentia oprimido interiormente cada dia pelo cuidado de todas as igrejas (II Co.11:28), a indicar o peso da responsabilidade que estava sobre seus ombros com relação ao desenvolvimento espiritual dos crentes das igrejas que havia fundado, responsabilidade ainda maior com relação aos novos convertidos, que não podem andar por si sós na jornada espiritual.

De igual forma, o apóstolo Pedro, também, lembra aos pastores que eles devem apascentar o rebanho de Deus não como tendo domínio sobre ele, mas dando o exemplo (I Pe.5:3), o que é ainda mais necessário com relação ao novo convertido, que, como criança espiritual, aprende sobretudo pelo exemplo dado pelos mais maduros.

3) Mas não são apenas os “pais na fé” e os pastores que têm de cuidar do novo convertido, mas cada crente deve fazê-lo.

Por primeiro, porque os salvos devem ensinar uns aos outros (Cl.3:16) e isto, naturalmente, faz com que cada salvo maduro seja um ensinador dos novos convertidos.

Palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Colossenses 3:16)

Por segundo, porque, como irmãos, devemos amar uns aos outros (Jo.15:12,17: Ts.4:9) e este amor não é apenas de palavras, mas de ações concretas, de atitudes (I Jo.3:18) e quem ama a seu irmão está na luz e nele não há escândalo (I Jo.2:10), ou seja, cada salvo precisa ter uma vida sincera e reta diante de Deus para não causar tropeço ao novo convertido e ao fraco na fé, residindo aí o seu cuidado para com o neoconverso.

O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.

Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.

Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.

Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer

Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda

Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros.

(João 15:12-17)

Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.

(1 João 3:18)