Tenho ouvido falar com frequência que o Deus do velho
testamento era um Deus malvado, cruel, raivoso, que mandava matar, agressivo e
que não tinha misericórdia. Já o Deus do novo testamento era um mais manso, amoroso,
misericordioso, bondoso, brando, um Deus de Paz e amor. E aí? Como entender
isso? Afinal Deus era cruel no velho testamento e amoroso no novo testamento?
Diferentemente do que se pensa tanto no velho testamento, quanto no novo testamento, Deus se revela tanto como um Deus de amor, como um Deus que se aborrece.
Quando encontramos questões relacionadas com a bíblia devemos procurar na própria bíblia a resposta. Antes de mais nada precisamos interpretar os textos e de cada texto em particular fazer uma exegese (analise detalhada e profunda). Quando se começa a ler e estudar a Bíblia, se torna evidente que Deus não é diferente no Velho e no Novo Testamento. Apesar de ser a Bíblia um livro composto de sessenta e seis livros individuais, em três línguas diferentes, através de um período de aproximadamente 1500 anos, por mais de 40 autores (vindos de diferentes atividades e ofícios), continua a Bíblia, mesmo assim, um livro consistente em sua unidade, do começo ao fim, sem contradições. Nisto vemos quão amoroso, misericordioso e justo é Deus ao lidar com os homens pecadores, em todos os tipos de situação.
Primeiramente vamos quebrar este conceito e analisar Atos 5:1-10 e Atos 12:21-23. Estes
textos, como todos sabem ficam no novo testamento e apresenta um Deus que mata
instantemente um homem e a sua esposa, por uma diferença de apenas três horas, tão
somente por que eles mentiram. Isto seria um ato de um deus mal? Em seguida Atos apresenta um Deus que envia um anjo para ferir uma pessoa, tão somente
por que não deu glória a Deus, e o condena a ser comido por bichos. Isto seria um ato de um deus mal? Então o Deus do novo
testamento é mal ou bom? Segundo uma visão simplória do texto, este é um deus
mal.
Agora vamos ler em Jonas 3:1-10 e Gênesis 15:16. Estes textos apresentam um
Deus misericordioso e perdoador. Um Deus que decide não mais matar o povo de Nínive,
por causa do seu arrependimento. Isto seria um ato de um deus bom? Já em Gênesis, vemos que Deus decide deixar a
descendência de Abraão ser escravo no Egito, por quatrocentos anos, em vez de destruir os Amorreus, por que eles não eram tão maus assim. Então o Deus do velho
testamento é mal ou bom?
Primeiramente precisamos entender que Deus se revela de maneira
diferente em cada momento histórico da igreja. No deserto o povo, havia por
quatrocentos anos morado no Egito e por isso havia se “esquecido” do Deus a
quem seus patriarcas tinham servido, na igreja neotestamentária primitiva o
povo precisa ser instruído sobre quem era o Deus a quem eles serviam. A
revelação de Deus a raça humana se fez de maneira crescente, assim como um pai
instrui o seu filho.
Precisamos entender que não foi Deus quem criou o mal. A
origem de todo o mal foi Satanás e não Deus. Ele foi criado perfeito e dono de
estrema beleza (Ezequiel 28:12-17).
Vs 15 - “Perfeito
eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou
iniquidade em ti.”
Seu coração se encheu de orgulho (Isaías 14:12-14). Ao
meditar em sua própria beleza, poder e glória, o Querubim da Guarda Ungido,
Lúcifer, permitiu que brotasse em seu coração a vaidade. Tão intensos foram
seus pensamentos, que queria usurpar a Deus. Corrompido pelo orgulho e
exaltação própria, disseminou mentiras sobre o caráter de seu Criador,
procurando colocar dúvidas sobre a Justiça e bondade de Deus. Os seus
argumentos convenceram um terço dos anjos do céu. Houve então uma guerra no céu (Apocalipse 12:7-9).
Deus que é infinito em amor e poder, instantaneamente seria
capaz de reduzir a todos em cinzas. Mas, isso resolveria o problema? Não, ao
contrário. Só intensificaria as dúvidas colocadas nos corações dos restantes dos
dois terços dos anjos, e faria com que eles adorassem a Deus por medo e não por
amor.
Deus permitiu que Satanás e seus anjos continuassem a sua
revolta para que todo o universo visse claramente o real caráter do pecado, e
suas conseqüências e por fim a morte eterna. Ele é o pai da mentira (João 8:44).
No Jardim do Éden não havia pecado. Ao desobedecer a Deus e
comerem o fruto da árvore do conhecimento, pecaram. Um deus tirano, orgulhoso e
mau, por certo teria destruído o casal e criado outro, mas Ele se mostra um
Deus bondoso e amoroso ao ter preparado um plano para redimir o homem, envia seu
filho para morrer em nosso lugar (Apocalipse 13:8 e João 1:29).
“Porque o salário do
pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus
nosso Senhor.” (Romanos 6:23)
Deus expulsou Adão e Eva do jardim, para que eles não
comessem do fruto da árvore da vida, e vivessem eternamente em pecado, dor,
sofrimento, doenças. Isto seria uma desgraça e grande maldição para o ser
humano (Gênesis 3:23-24), viver eternamente em pecado.
Deus prova o seu amor.
Gerações depois, Deus resolve destruir a raça humana e
vê em Noé, homem justo e perfeito, a esperança de convencer a raça humana do
arrependimento dos seus maus caminhos (Gênesis 6:5-9). Por cento e vinte anos,
Noé advertiu seus contemporâneos sobre a iminente destruição. Mas tão somente
oito pessoas entraram na Arca e foram salvos, embora todos tenham sido
convidados para entrar e fugir da condenação. Se Deus não tivesse enviado o
dilúvio e destruísse os pecadores, a corrupção seria de tal grau na raça humana
que corrupiaria a capacidade humana a buscar a Deus e jamais haveria humano que almejasse
um Salvador. O resultado seria perdição eterna para toda a raça humana. Deus
prova o seu amor.
Durante o período em que os israelitas tomaram posse de
Canaã, Deus por vezes castigava-os, por amor. Isto acontecia durante o governo
dos juízes e mesmo no período do reinado, onde o povo de Israel teve altos e
baixos. Deus lhes havia feito uma promessa: “Se andardes nos meus estatutos, e
guardardes os meus mandamentos e os cumprires...”(Levítico 26:3) seriam grandemente
abençoados e mal algum cairia sobre eles. Se desobedecessem ao Senhor, grande
mal cairia sobre eles (Levítico 26:14-16
em diante). A história nos mostra que o povo, ao pecar e abandonar ao Senhor,
eram então atacados e vencidos pelos seus inimigos. Então eles clamavam e Deus
lhes atendia (Juízes 2:16-19). Em meio à
apostasia do povo, os profetas, enviados pelo Altíssimo, advertiam-lhes(várias
vezes), dando-lhes oportunidade de arrependimento (Jeremias 7:5 em diante). Infelizmente, o
povo de Israel, por diversas vezes escolheu o seu próprio caminho e não se
arrependeu, senão apos serem castigados como Manassés, Rei em Jerusalém (2 Reis 21:1-6). Tendo sido
levado cativo pelo exército assírio à Babilônia (2 Crônicas 33:12-13). Depois
disso, o rei arrependido, se esforçou e procurou corrigir todo o mal que havia feito.
Deus pôde perdoar Manassés, que chegou ao cúmulo da maldade ao queimar o
próprio filho como sacrifício a deuses pagãos, Ele podia também perdoar a todos
os povos que habitavam em Canaã. A não ser por um importante detalhe:Manassés
se arrependeu e corrigiu suas ações. Os canaanitas não. Assim, vemos claramente
que não importa o tamanho do pecado que tenhamos cometido. Deus, O Senhor, é
infinito em misericórdia e está disposto a perdoar. Desde que nos arrependamos.
Deus prova o seu amor.
Deus é sempre bom.
Jesus lhe disse: Por que
me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus (Lucas 18:19).
Eu sou o bom Pastor; o
bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas (João 10:11).
Louvai ao SENHOR, porque
ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre (Salmos 107:1).
Bom e reto é o Senhor;
por isso ensinará o caminho aos pecadores (Salmos 25:8).
Pois tu, Senhor, és bom,
e pronto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam (Salmos 86:5).
Provai, e vede que o
Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia (Salmos 34:8).

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