Quando eu tinha 7 anos passei por uma experiência que me
marcou para o resto da minha vida. Existem coisas que fizemos na infância que ficam
guardados em nossa mente par sempre, ficam marcados como um ferro quente no lombo de um cavalo. Esta história do coco é uma delas. Isto
aconteceu em um tempo em que a violência praticamente não existia no bairro em
que morávamos. Num tempo em podíamos ir e voltar da escola primaria
desacompanhado. Num tempo que podíamos ficar até tarde na rua jogando bola, brincando de queimada, pique bandeira e taco. Num tempo onde os biscoitos, o arroz, o feijão, o açúcar e
vários outros produtos e alimentos eram vendidos a granel. Os biscoitos não
viam em pacotes fechados, a gente comprava a quilo e em sacos de papel. O pão era vendido em unidades e enrolados em papel, papel de pão.
O certo é que não importa a época, podemos nos deixar ser influenciados pelo meio, pelos amigos. Pois bem. Quando eu voltava da escola acompanhado por amiguinhos,
fui influenciados por eles a retirar do balcão de um mercado, que ficava na
calçada, um dos muitos cocos secos que ali estava, daqueles que nossa mãe utilizava para fazer leite de coco, coco ralado e incrementar aquele cuscus delicioso. enquanto meus amigos vigiavam retirei alguns cocos secos. Levei dois para casa. A princípio fiquei feliz e radiante com minha conquista, mas ao mesmo tempo com a consciência pesada, pois sabia que aquilo não era o certo. Lembrei de um louvor que minha mãe cantava para mim, quando menor. "Cuidado mãozinha no que pega, o salvado do céu e está olhando pra você, cuidado mãozinha no que pega."
Quando cheguei em casa foi logo tomar um banho e almoçar. Minha mãe começou a retirar o material da mochila para que eu estuda-se mais tarde. foi quando ela viu os dois cocos que eu havia quarado na mochila, e foi logo perguntando: meu filho que cocos são estes? Tentei responder sem carquejar, mas meu olhar não disfarçou a minha culpa. Foi forçado pela força co convencimento de uma chibata a falar a verdade. conclusão: tive que voltar ao mercado e devolver os cocos, levei umas chineladas e ainda fiquei de castigo, sem ir brincar na rua por uma semana.
"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus."
Romanos 12:2
Romanos 12:2
O que aprendi com o coco:
Não mentir;
Não roubar;
Não ser influenciado, nem andar em más companhias;
Humilhar-me;
A respeitar as coisas dos outros;
Passar vergonha é muito ruim;
Ouvir conselhos
Esse texto do vídeo acima é de Robert Fulghum- "All I Really Need To Know I Learned In Kindergarten".
O livro é muito bom, com vários textos leves e bem escritos
sobre os fatos da vida cotidiana, mas o que eu mais gosto nesse texto em
particular é que ele nos lembra de valores muito importantes, que por algum
motivo, nos esquecemos no decorrer de nossa vida.
Viva o jardim de infância.











