quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O segredo da VITÓRIA

O segredo da VITÓRIA.

Êxodo 17

1 - Depois toda a congregação dos filhos de Israel partiu do deserto de Sim pelas suas jornadas, segundo o mandamento do SENHOR, e acampou em Refidim; e não havia ali água para o povo beber.

2 - Então contendeu o povo com Moisés, e disse: Dá-nos água para beber. E Moisés lhes disse: Por que contendeis comigo? Por que tentais ao SENHOR?

3 - Tendo pois ali o povo sede de água, o povo murmurou contra Moisés, e disse: Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado?

4 - E clamou Moisés ao SENHOR, dizendo: Que farei a este povo? Daqui a pouco me apedrejará.

5 - Então disse o SENHOR a Moisés: Passa diante do povo, e toma contigo alguns dos anciãos de Israel; e toma na tua mão a tua vara, com que feriste o rio, e vai.

6 - Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe, e tu ferirás a rocha, e dela sairão águas e o povo beberá. E Moisés assim o fez, diante dos olhos dos anciãos de Israel.

7 - E chamou aquele lugar Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porque tentaram ao SENHOR, dizendo: Está o SENHOR no meio de nós, ou não?

8 - Então veio Amaleque, e pelejou contra Israel em Refidim.

9 - Por isso disse Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, peleja contra Amaleque; amanhã eu estarei sobre o cume do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão.

10 - E fez Josué como Moisés lhe dissera, pelejando contra Amaleque; mas Moisés, Arão, e Hur subiram ao cume do outeiro.

11 - E acontecia que, quando Moisés levantava a sua mão, Israel prevalecia; mas quando ele abaixava a sua mão, Amaleque prevalecia.

12 - Porém as mãos de Moisés eram pesadas, por isso tomaram uma pedra, e a puseram debaixo dele, para assentar-se sobre ela; e Arão e Hur sustentaram as suas mãos, um de um lado e o outro do outro; assim ficaram as suas mãos firmes até que o sol se pós.

13 - E assim Josué desfez a Amaleque e a seu povo, ao fio da espada.

14 - Então disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus.

15 - E Moisés edificou um altar, ao qual chamou: O SENHOR É MINHA BANDEIRA.

16 - E disse: Porquanto jurou o SENHOR, haverá guerra do SENHOR contra Amaleque de geração em geração.

Este é um texto bantante conhecido pelos irmãos e hoje iremos meditar um pouco sobre este texto em especial sobre o segredo da vitória.

Nenhum de nós, quer como pessoa, quer como comunidade, como igreja, deseja experimentar revezes na sua vida. Todos nós desejamos vencer e as igrejas também querem.

Esta história acontece após o povo ser liberto das garras de faraó e seu exercíto, depois de esperimentarem as aguas amarcas de Mara quando mormuram e começaram a reclamar.

Eles então acampam em Refidim – que significa Lugares de descanso, refrigério".

É a primeira batalha que Israel trava depois de sua libertação. A rigor não é ainda povo. É uma massa de ex-escravos. Sua organização social é precária. Está sem armamento, não tem técnicas de guerra e até mesmo seu senso de unidade é pouco, posto que há muita gente que está ali, chamado em outro texto de "o vulgo da terra", que segue com eles sem nenhuma convicção do que está fazendo.

E o vulgo, que estava no meio deles, veio a ter grande desejo; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar, e disseram: Quem nos dará carne a comer? Números 11:4

Mas este povo que está fazendo esta caminhada pelo deserto é na realidade um quadro da Igreja. Somos uma comunidade peregrina em busca de sua pátria. Um povo que teve uma experiência com Deus, que à semelhança de Israel tem a convicção de que Deus entrou na sua vida, foi tirada da sua situação e colocada dentro de um projeto de Deus, em interação com outras pessoas, vive em senso de cooperação e está fazendo a sua vida cada dia. Eis um quadro da Igreja. Somos uma comunidade peregrina, tivemos uma experiência com Deus que nos abriu os olhos, nos trouxe a sua graça na pessoa de Jesus Cristo, fez com que nós fôssemos colocados uns nas vidas dos outros formando um grupo. Somos uma família, uma pátria e devemos viver em senso de cooperação .

O texto mostra 4 tipos de personagens:

1) Moiséis – o líder – O pastor

2) Arão e Hur – Os assessores – Presbiteroe e diáconos

3) Josué e o exercíto – Departamentos e membros

4) Deus

O texto mostra o valor de um líder. Um bom líder conduz à vitória. Mas o texto mostra que um líder sem auxiliares competentes não é nada. E vai mais além em mostrar que um líder, mesmo com determinação, com auxiliares competentes, mas sem o envolvimento de todos, também não vai a ponto nenhum.

Mas este povo que está fazendo esta caminhada pelo deserto é na realidade um quadro da Igreja e como comunidade, como igreja temos um inimigo comum, os amalequitas, o diabo e seus anjos.

Vamos entender quem eram os amalequitas:

Amaleque - “Povo que lambe/povo que suga

Não existe notícia na Bíblia de um povo que tenha sido mais aborrecido por Deus do que os Amalequitas. Foi o único povo a respeito do qual Deus falou estas palavras:

"Hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo dos céus...Porquanto o Senhor jurou, haverá guerra do Senhor contra Amaleque de geração em geração." (Ex 17.14, 16).

Muito mais tarde, quando Moisés estava lembrando ao povo os juízos de Deus, em Deuteronômio, não esqueceu Amaleque. Demonstrou, com isto, que Deus estava falando com toda a ênfase a respeito daquela nação iníqua, destinando-a à total destruição. Veja o que Ele disse a Moisés:

"Lembra-te do que fez Amaleque no caminho, como te derribou na retaguarda todos os fracos que iam após ti, estando tu cansado e afadigado. e não temeu a Deus. Será pois que, quando o Senhor teu Deus te tiver dado repouso de todos os teus inimigos em redor na terra que o senhor te dará por herança para possuí-la então apagarás a memória de Amaleque de debaixo dos céus: NÃO TE ESQUEÇAS! (Deuteronômio 25.17-19).

"Não te esqueças!" Que sério mandamento para o povo.

É incrível. Aquele povo terrível que Deus prometeu apagar sempre procurava destruir o povo de Deus, embora por este fosse destruído. Contudo, sempre ficava alguma raiz e estas raízes geravam novos rebentos.

No livro de Juizes vamos encontrar novamente os Amalequitas, desta vez enfraquecidos pela primeira vitória de Israel contra eles. Estão aliados aos Midianitas e a outros povos para, mais fortes, conseguirem o seu grande objetivo: Destruir Israel.

"Porque sucedia que, semeando Israel, subiram os Midianitas e os Amalequitas. e também os do Oriente contra ele subiam. E punham-se contra eles em campo, destruíam a novidade da terra, até chegarem a Gaza. e não deixavam mantimento em Israel, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos. Porque subiam com seus gados e tendas. Vinham como gafanhotos, em tanta multidão que não se podiam contar, nem a eles nem aos seu camelos. E entravam na terra, para destruir.

Assim Israel empobreceu muito pela presença dos midianitas." (Juizes 6.3-6a).

Foi então que Deus levantou Gideão com seus trezentos homens, os quais venceram mais esta batalha do Senhor.

Quando vem o confronto definitivo, o maior de todos contra Amaleque, a ordem de Deus foi peremptória (Peremptória é algo decisivo, definitivo) e sem margem a qualquer dúvida. Ele ordenou ao povo o seguinte: Em termos jurídicos não foi uma decisão dilatória (são os prazos fixados pela lei, mas que admitem a sua ampliação ou redução, quer por decisão judicial, quer por acordo das partes).

"Assim diz o Senhor dos exércitos: Eu me recordei do que fez Amaleque a Israel, quando se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito." (I Sm 15.2).

"Vai pois agora e fere a Amaleque. e destroi totalmente tudo o que tiver, e não lhes perdoes. porém, matarás desde o homem à mulher, desde os meninos até aos de mama, desde os bois até as ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos". (I Sm 15.3).

Saul foi o rei escolhido por Deus para cumprir tão terrível e, ao mesmo tempo nobre missão. É talvez um mistério para nós que o Deus da misericórdia quando aplicou a sua justiça contra Amaleque mandou matar até as criancinhas e os animais, mas não é motivo de não aceitarmos a Sua soberania em tudo o que faz.

Como dissemos, Saul foi escolhido como o braço de Deus para tal missão e foi nesta missão que se evidenciou a sua rebeldia. Foi nesta missão que ele perdeu tudo o que tinha diante de Deus quando, semelhante a Acã, tomou os despojos que Deus proibira de tomar. (I Sm 15.1-35).

Saul trouxera o rei dos Amalequitas com ele, porque naquele tempo uma das evidências de poder era o rei vencedor ter reis inimigos comendo migalhas debaixo da sua mesa. Tratava-se portanto de uma pura vaidade de Saul.

Por causa da desobediência de Saul foi que Deus se "arrependeu" de havê-lo constituído rei sobre Israel.

Bem, apesar dos exércitos de Saul terem quase destruído totalmente os amalequitas, sobraram muitos, provavelmente escondidos, ou viajando, ou por qualquer outro motivo que desconhecemos.

Vamos, pois, encontrar, mais tarde, os famigerados amalequitas novamente dando trabalho ao povo de Deus e levando cativas as mulheres de Davi, Ainoã, a jezreelita, e Abigail, a viúva de Nabal, o carmelita (I Sm 30.6).

Os amalequitas haviam queimado a cidade de Ziglaque, que era no Sul, o orgulho de Davi.

Mesmo sabendo que o interesse especial de Deus era apagar a memória de Amaleque de debaixo do céu, Davi era tão obediente que, antes de sair à peleja, mandou chamar o sacerdote Abiatar com a estola sacerdotal e consultou ao Senhor. A resposta veio prontamente:

"Persegue-o porque de fato o alcançarás, e tudo libertarás." (I Sm 30.8).

O relato da batalha é digno de nota:

"E feriu-os Davi, desde o crepúsculo até a tarde do dia seguinte, e nenhum deles escapou, SENÃO SÓ QUATROCENTOS JOVENS que montados sobre camelos fugiram." (I Sm 30.17).

Como vemos, ainda houve um grupo que escapou.

Quando Saul pelejou sua última batalha contra os filisteus na qual morreram ele, seus três filhos, Jônatas, Abinadabe e Malquisua, seu escudeiro e todos os seus homens (I Sm 31.6), veio um amalequita trazer a Davi a notícia da batalha e contar-lhe que havia matado Saul, a seu pedido, por estar o rei cheio de cãibras." Davi não titubeou. Chamou um dos seus moços e mandou matar imediatamente o amalequita. (I Sm 1.1-16).

De onde vieram os Amalequitas?

A primeira referência que encontramos em relação a eles é em Gn 36.12:

"E Timna era concubina de Elifaz, filho de Esaú, e teve de Elifaz a Amaleque. estes são os filhos de Ada, mulher de Esaú."

Vê-se, por esta referência, a origem daquele povo: netos daquele a quem Deus aborrecera: Esaú. Filhos de uma concubina.

Em um dos Sl de Asafe, o 83, Amaleque é citado entre 17 povos inimigos de Deus.

Agora perguntamos: sempre sobraram Amalequitas?

Será que o mandamento e a vontade de Deus jamais foram cumpridos? Por acaso escaparam sempre aqueles horríveis inimigos de Deus?

Não!

No livro de I Crônicas vemos um relato breve de que a vontade de Deus foi cumprida, quase 200 anos depois do que Ele ordenara. Eis o desfecho da triste história do povo Amalequita:

"Também deles, dos filhos de Simeão, quinhentos homens foram às montanhas de Seir. E a Pelaias, e a Nearias, e a Refaias, e a Uziel, filhos de Isi, levaram por cabeças. E FERIRAM O RESTANTE DOS QUE ESCAPARAM DOS AMALEQUITAS." (I Crônicas 4.42,43).

Voltemos ao texto, ele nos mostra o valor de um líder. Um bom líder conduz à vitória. Mas o texto mostra que um líder sem auxiliares competentes não é nada. E vai mais além em mostrar que um líder, mesmo com determinação, com auxiliares competentes, mas sem o envolvimento de todos, também não vai a ponto nenhum

Primeiro: a compreensão que cada crente deve ter de que faz parte de um todo. Veja que há uma diversidade de funções. Há um líder, que é Moisés. Há assessores, Arão e Hur, e há militares, Josué e os seus. Eles se juntam para uma obra.

Poderemos fazer uma pergunta: qual é o mais importante?

Alguém diria: “é Moisés”. Sim, quando Moisés levantava as mãos, Israel prevalecia. Mas ninguém agüenta ficar muito tempo com as mão levantadas e quando ele ia cansando e as mãos abaixando, Israel perdia. E se não erguessem as suas mãos? “Tem razão, então não é Moisés mas Arão e Hur, porque eles providenciaram um banquinho em forma de pedra, ele assentou-se e com um de cada lado segurando a sua mão e mantendo-a erguida, Moisés conseguiu ficar o dia inteiro com a sua mão erguida. Tem razão, não era tanto Moisés, mas Arão e Hur”. Sim, mas e se Josué e os guerreiros não dessem duro lá em baixo lutando? “Tem razão. Então Josué e os guerreiros”. Sim, Josué e os guerreiros estavam batalhando lá em baixo mas quando as mãos de Moises cansavam eles perdiam! Podemos ficar num círculo vicioso. O mais importante não é Moisés. O mais importante não são Arão e Hur e nem os guerreiros. Cada um tinha uma tarefa a cumprir. Cada um aceitou a sua responsabilidade.

Cada um se desincumbiu eficientemente do que tinha que fazer. Eles compreenderam que o fracasso de um seria o fracasso de todos e que o acerto de um seria o acerto de todos.

O que estava se desenrolando não era a causa de Moisés, não era o prestígio de Moisés como líder e nem a capacidade de Arão e Hur de socorrerem a Moisés. O que estava em jogo era a existência do povo, era a sua vitória.

Uma das coisas mais daninhas para a igreja é quando um crente não tem noção de que ele faz parte de um todo. Ele presume ou que batalha sozinho e enxerga a sua batalha, a sua atividade cristã, e não se vê inserido dentro de uma igreja, dentro de uma comunidade. Ou quando ele julga que é desnecessário, que não faz falta, é um só, é tão pequeno, e se não estivesse ali não faria diferença nenhuma.

Acompanhem-me, por favor, no texto de Paulo aos Romanos 12:3-8.

Por causa da bondade de Deus para comigo, me chamando para ser apóstolo, eu digo a todos vocês que não se achem melhores do que realmente são. Pelo contrário, pensem com humildade a respeito de vocês mesmos, e cada um julgue a si mesmo conforme a fé que Deus lhe deu. Porque, assim como em um só corpo temos muitas partes, e todas elas têm funções diferentes, assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo por estarmos unidos com Cristo. E todos estamos unidos uns com os outros como partes diferentes de um só corpo. Portanto, usemos os nossos diferentes dons de acordo com a graça que Deus nos deu. Se o dom que recebemos é o de anunciar a mensagem de Deus, façamos isso de acordo com a fé que temos. Se é o dom de servir, então devemos servir; se é o de ensinar, então ensinemos; se é o dom de animar os outros, então animemos. Quem reparte com os outros o que tem, que faça isso com generosidade. Quem tem autoridade, que use a sua autoridade com todo o cuidado. Quem ajuda os outros, que ajude com alegria.

Paulo repete este mesmo ensinamento em I Cor. 12 quando diz:

Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres?

O ensino que nos fica é que cada crente tem uma função a exercer no meio do povo de Deus e para que a igreja alcance a vitória é preciso cultivar responsabilidade e solidariedade. Nós não trabalhamos isolados e cada um faz parte de um todo. Este é o primeiro ingrediente: a compreensão que cada crente deve ter de que faz parte de um todo.

O segundo ingrediente é a compreensão que cada crente deve ter do seu valor pessoal, deve saber qual a seu talento dentro da igreja de Deus, reconhecer a capacidade dou outro e identificar a sua importância na obra do Mestre.

Moisés, Hur, Arão, Josué, os seus soldados, cada um tinha algo a fazer. Não competia a Moisés fazer o trabalho de Josué. Não competia a Josué fazer o trabalho de Arão e Hur. Não competia a Arão fazer o trabalho de Moisés, ou a Hur fazer o trabalho de um comandado de Josué. Sem ciúmes, sem queixas, sem desejo de prepotência, de mando, de domínio, cada um compreendeu que tinha um trabalho específico a fazer e que se não fizesse viria a derrota.

Aqui nós devemos evitar, como já acenei antes, dois equívocos no nosso meio. Um é quando o crente pensa que não tem valor. Ele não tem instrução, não tem capacidade, não tem cultura nenhuma. Outros, em vez de serem omissos, como estes que se julgam incapazes, julgam-se muito capazes, tornam-se prepotentes, sócios de Deus, impositores da verdade e só as suas idéias são válidas.

Moisés é o líder e as mãos erguidas são um símbolo do seu ofício profético. Arão e Hur são os seus assessores e poderiam dizer: “Isto não é problema nosso. Moisés que se vire”. Mas eles disseram: “Isso é nosso”. Josué e os soldados poderiam dizer: “Moisés está numa boa, sentadinho, e nós aqui é que estamos derramando sangue”. Mas cada um reconheceu o seu lugar. Nenhum deles se omitiu e nenhum deles exorbitou.

Primerio ensinamento – Todos somos importantes na Casa de Deus.

Segundo ensinamento – Termos que aprender que eu sou importante mas o irmão também o é.

Terceiro ensinamento – tenho que identificar qual é o meu talento, a minha capacidade na obra.

Deus não veio buscar só os líderes, ou pastores, ou professores.

Deus não veio buscar somente as irmãs da intercessão ou que pregão no trem.

Todos temos a nossa importância.

Atos 2:41-47

De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas,

E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.

E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.

E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.

E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.

E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,

Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.

Nós vemos expressões que se repetem: “todos, um só, unânimes, unanimemente, como um só homem, a uma só voz”. A marca mais acentuada da igreja primitiva não era o barulho, não era o alarido, não eram as manifestações extraordinárias do Espírito Santo. A marca mais acentuada da igreja primitiva, do início de sua história, era que eles eram unidos e formavam um só corpo. Se engajavam num projeto como uma só pessoa. E a primeira vez que alguém quebrou a unidade da igreja foi um casal que desejou ser mais que os outros, Ananias e Safira. A punição foi a morte.

Conta-se que na carpintaria certa vez houve uma estranha assembléia. Foi um verdadeiro bate-boca pra acertar diferenças.

Um martelo exerceu a presidência, mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho; e além do mais, passava todo o tempo golpeando.

O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo.

Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atritos.

A lixa acatou, com a condição de que se expulsasse o metro que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora o único perfeito.

Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e as ferramentas e iniciou o seu trabalho.

Utilizou justamente o martelo, a lixa, o metro e o parafuso.

Finalmente, a rústica madeira se converteu num fino móvel. Quando a carpintaria ficou novamente só, a assembléia reativou a discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse:

"Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro não trabalha com os nossos defeitos, mas, sim, com as nossas qualidades, com nossos pontos fortes. Assim, proponho abandonarmos esta discussão e nos concentrarmos em tarefas construtivas".

A proposta foi aceita por unanimidade e todos se sentiram, então, uma verdadeira equipe, capaz de produzir objetos de qualidade, se unidas num mesmo próposito e nas mãos e na mente do hábil carpinteiro.

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