quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Filho de peixe é peixinho e filho de crente é crentinho?

Recentemente li um relatório, de 2011, sobre a evangelização para crianças e fiquei impressionado com o percentual de filhos de crentes que se desviam. Segundo este relatório, SUPER20 da AMME e Salva Vidas, das pessoas que fizeram seu compromisso com Cristo na infância, 37,93% se afastou da fé, sendo que a maioria (63,6%) eram filhos de evangélicos e quase metade se afastou na adolescência. Daqueles que fizeram seu compromisso na adolescência 30,95% se afastou, sendo que mais da metade (53,84%) eram filhos de evangélicos e metade se afastou ainda na adolescência. Dos que se converteram na juventude, apenas 13,8% declarou haver se afastado e apenas cerca de 10% era filho de evangélicos. Esses dados referem-se apenas aos desviados que retornaram. Supõe-se que os números totais do desvio sejam ainda mais altos e mais tendentes ao desvio dos filhos de crentes. Ao final de 10 anos perdemos quase um igreja em filhos de crentes. 

Um dado importante é o histórico religioso desses crentes que desviaram e depois retornaram. A pesquisa mostrou que os filhos dos crentes representaram 55,17% das conversões de crianças, 47,62% das conversões de adolescentes e 17,24% das conversões de jovens. É entre eles que houve o maior percentual de desviados. Os filhos dos crentes foram 63,6% dos desviados que haviam se convertido na infância; 53,84% dos desviados que havia se convertido na adolescência; 10% dos desviados que haviam se convertido na juventude.

Os filhos dos crentes, aqueles que se convertem como crianças e adolescentes, se desviam mais. Veja que, para conversões na juventude, o desvio é menor e o percentual dos filhos de crentes que se desviam é bem pequeno. Já para conversões na infância, quando a maioria dos filhos de famílias evangélicas aceita Jesus, há a maior taxa de desvio e o maior percentual de filhos de crentes desviados. Esse fenômeno é tão conhecido no meio evangélico, tão corriqueiro, tão comum, que muitos já o aceitam como normal.
Todos os filhos de pais crentes nascem com um defeito original, como todo ser humano: a natureza pecaminosa. Por isso, “filhos da igreja” também mentem, roubam, abortam, são preguiçosos, incrédulos, lidam com tensões da homossexualidade, prostituição e todo tipo de pecado. Essa natureza pecaminosa os inclina para os pecados. Ao mesmo tempo, por causa do ambiente em que foram criados, aprendem a orar, memorizam as Escrituras, cantam e servem em ministérios na igreja e tem uma boa educação cristã, mesmo assim muitos se afastam, por quê? Por que não foram evangelizados e não “nasceram de novo”.
Pais evangélicos precisam dedicar mais tempo a evangelizar seus filhos e a orarem por eles. Nossos filhos não podem crescer somente em graça, precisam crescer também em conhecimento; não podem ter um culto apenas espiritual, precisam de um culto também racional. 
Veja o exemplo de Jeorão: E se foi sem deixar de si saudades; sepultaram-no na Cidade de Davi, porém não nos sepulcros dos reis.” 2 Crônicas 21:20b.
É assim que termina a triste história de Jeorão. Seu pai, o Rei Josafá, era um homem crente que temeu e serviu a Deus todos os seus dias. Mas apesar da fidelidade de seu pai, Jeorão era um homem mau, e optou por seguir um caminho diferente daquele em que seu pai andara. Após casar-se com a filha de Acabe, um rei fenício que cultuava aos deus pagão baal, ele andou nos caminhos da família de seu sogro, e fez o que o Senhor reprova (2 Cr 21:6).
Assim que assumiu o reinado, com 32 anos de idade, Jeorão assassinou os seus irmãos e alguns príncipes de Israel (vs.4). Fez lugares de adoração pagã nos montes de Judá, seduzindo os habitantes de Jerusalém à idolatria e adoração de demônios, que trazia consigo todo tipo de iniquidade (vs.11). Então, fatalmente veio a sentença de Deus: seu povo, sua família e posses foram castigados, e ele próprio teve uma morte horrível (vs.12-15). Jeorão teve uma enfermidade incurável em suas entranhas, e ao cabo de dois anos morreu em terríveis agonias; morreu “sem deixar saudades…
Desde os primórdios da humanidade, a família tem sido a base principal da sociedade. Os costumes, os comportamentos e até mesmo os cenários se modificam com o passar dos séculos. Mas o papel que a família exerce permanece essencial. É desse pequeno núcleo que vem a formação de caráter de uma pessoa e até mesmo de sua personalidade. E, nesse contexto, é preciso destacar a importância da educação religiosa dentro de muitas casas, especialmente, nos lares evangélicos. Onde está o culto doméstico, onde está o pôr do Sol em família, onde está a oração em conunto durante o almoço e a janta?
O assunto adquire grande destaque. Até porque, biblicamente falando, existe uma responsabilidade dada aos pais sobre a continuidade dos valores cristãos dentro de casa, conforme o trecho em Provérbios: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele”. Neste tempo de 2014, a missão de educar um filho segundo os princípios cristãos e fazê-lo permanecer na fé depois de adulto continua valendo, embora essa tarefa seja cada dia mais complexa. Influências diversas dos meios de comunicação, das escolas, da internet, etc., podem provocar desvios de comportamento, gerando mudanças de interesse e de atitudes.


Fonte de pesquisa:
http://www.evangelizabrasil.com/wp-content/uploads/downloads/2011/07/SUPER20_AMME.pdf

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.